terça-feira, 2 de maio de 2017

SEGUNDO SONETO

CÂNDIDO AMIGO

Vive em ti um ancestral
Traz na pele a história de muitos ais
És a memória dos que vieram na nau
E das lágrimas que ficaram no cais

Menino brincante de olhar doce-terno
Forjado na fibra da superação
Tem na lida seu momento triunfante
E não há quem acalante o tambor do seu coração

Seu olhar enxerga longe
O horizonte sua meta
E o amor é sua fonte

Brinca menino, brinca
Leva alegria por onde brincar
O sorriso é tua marca, não deixe ninguém apagar.


Esse soneto foi escrito para um amigo. As vezes as palavras são presentes que tocam nosso íntimo, que nos acalantam, que nos lembram quem somos e nossa razão de ser. As vezes as palavras nos causam momentos de epifania, de singularidade sem par. O gesto conta, é verdade, mas a palavra... essa consegue ir até dimensões mais profundas que o gesto.

segunda-feira, 24 de outubro de 2016

MEU PRIMEIRO SONETO

Texto: ALMA NEGRA
Autor: Gleydson Dantas

Da mãe África.
Trazido contra vontade.
Jogado no navio.
Depois na senzala.

Trabalho e chicote.
Açoite e morte.
Sem direito a alma.
Sem direito a Deus.

Da folha do dendezeiro
Do corte do facão
Na fuga no meio do mato buscando um pedaço de chão.

Da liberdade em Palmares
Na cota da Universidade
Só buscam seu direito, irmão.

terça-feira, 14 de junho de 2016

ERA UMA VEZ... o silêncio.


Denso, profundo e frio.
Amordaçados não podemos nos dar o luxo de falar o que sentimos.
Observamos ruir sonhos, esperanças e histórias.
Resta abraçar uns aos outros e ver sem poder agir.
Ver descer a tumba fria do descaso, um corpo que padeceu sob a tirania da caneta e do império da vontade deles, nunca nossa.

Quem acha que o navio negreiro não veleja mais... preserve sua inocência.
O estalar do chicote é surdo, mas a dor é a mesma.
O capataz não vibra o chicote no sol, prefere a surdina noite, onde muitos dormem e cabeças são servidas em bandejas de prata para alimentar a fogueira da vaidade que crepita na Casa Grande.




"Era uma vez..." tornou-se uma sequencia de textos que fiz no meu perfil no Facebook. Alguns vou transcrever para cá para poder compartilhar desses sentimentos que as vezes nos tomam e nos servem de inspiração.

terça-feira, 7 de julho de 2015

Você quem sabe!



Conheço todos os meus defeitos. 
Só não os alimento todos de uma vez.



Realidade nossa de cada dia. Nos deparar com os próprios medos, com os próprios algozes: nós mesmos. Deparar-se consigo é sempre um exercício difícil, nem falo tanto em mergulhar no próprio âmago, mas o cotidiano negar-se. Mascaras, talvez, uma maneira de se proteger de nós mesmos. Parece contraditório, mas deve ser um mecanismo para não sucumbir em realidade. Sorrir enquanto todos ao seu lado pranteiam não é bem a realidade, sentir a dor de amadurecer faz parte do processo para tornar-se SER!

terça-feira, 26 de maio de 2015

DUPLA DINÂMICA




A gentileza acompanhada 

de uma dose de miopia 

são uma combinação maravilhosa.





Então... as vezes é assim mesmo. Uma combinação aparentemente desconexa pode trazer um resultado deveras interessante. Dentre eles, uma fluidez de conversas, um tom mais leve nas palavras, uma conversa que corre souta e vai além de imagens, primeiras impressões e outros entraves de um primeiro momento. 

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

ÓPIO







A realidade é concreta demais, 
não viveríamos sem o doce sabor 
das pequenas ilusões!


Infelizmente, ou felizmente, é assim todo dia. Pequenas, doces e necessárias ilusões, nos fazem encarar a atroz realidade. A realidade é cinza, opaca e sem graça, mas é nela que fixamos nossos sonhos, fixamos o caminho por onde caminhar.

sexta-feira, 31 de outubro de 2014

Sério ou Brincalhão?


Sou sério onde preciso ser. 
Minha profissão não é a minha vida. 
É só uma parte dela.


As vezes, por ser um profissional militar, esquecem que existe um humano dentro da farda. As vezes confundem com um título, as vezes fico invisível socialmente, as vezes apenas nos vêem como objetos, de todo tipo e uso. Mas na verdade, existe um humano. No meu caso, que não confunde o ser profissional do ser humano que tento ser a cada dia. Mil possibilidades em um só ser, resigná-lo apenas a um aspecto seria muito pouco.